O advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa admitiu à Polícia Civil que passou cerca de seis horas dirigindo pelas ruas de Palmas depois de perceber que o filho, Gustavo Feitosa, de 3 anos, estava morto. Segundo o relato, ele não sabia como comunicar a morte à mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa, e por isso não procurou uma delegacia de imediato. As informações constam de reportagem da Gazeta do Cerrado sobre um novo depoimento colhido em agosto de 2026.

Depoimento sobre o intervalo até a polícia

Questionado pelos investigadores sobre o intervalo entre a descoberta da morte e sua apresentação às autoridades, Igor afirmou que não conseguia enfrentar a situação. Ainda segundo a reportagem, ele citou conflitos anteriores com a mãe da criança, com quem mantinha disputas judiciais desde 2023.

"Eu fiquei rodando de carro, e, se eu pudesse, eu estava rodando nesse carro até hoje."

A frase foi declarada pelo próprio Igor no depoimento, conforme a Gazeta do Cerrado.

Confissão de agressão e laudo do IML

De acordo com o depoimento reproduzido pela reportagem, Igor admitiu ter agredido o filho na área externa da residência do pai, na região norte de Palmas, onde o menino foi encontrado sem vida em 2 de agosto de 2026. Ele afirmou que perdeu o controle ao encontrar a criança na piscina sem autorização e reconheceu que as agressões ocorreram depois que retirou o menino da água.

Conforme a reportagem, o Instituto Médico Legal (IML) concluiu que Gustavo morreu em decorrência de hemorragia interna provocada por ferimentos graves em diferentes partes do corpo. O laudo também apontou a ocorrência de violência sexual. Igor negou ter cometido esse tipo de violência e disse que as lesões decorreram das agressões físicas que admitiu.

Réus e andamento da ação

O pai e a madrasta do menino, Kathellen Moreira da Silva, foram indiciados pela Polícia Civil em setembro e permanecem presos preventivamente. Depois, a Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) e os tornou réus. Igor responde por vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen responde por vicaricídio, por suposta omissão diante das agressões, e por fraude processual.

A defesa de Kathellen afirma que ela não participou das agressões e não sabia da violência praticada contra o enteado. Em nota, os advogados disseram que ela estava no quarto amamentando a filha pequena quando as agressões ocorreram e que só soube da morte no dia seguinte, quando Igor teria dito que o menino havia se afogado. A defesa de Igor informou que os fatos serão esclarecidos nos autos.

Os depoimentos passam a integrar o conjunto de provas analisado pela Justiça. Ambos são réus e não há condenação definitiva no caso.

Gustavo estava passando o fim de semana na residência paterna quando os fatos investigados ocorreram. A morte aconteceu poucos dias depois de uma decisão judicial que determinou o pagamento de pensão alimentícia pelo pai.